Consciência e Simplicidade

10-03-2020

A consciência tem alarmes e os alarmes despertam-nos para variadíssimas questões e vivências.

Pensar em consciência remete-nos invariavelmente para o inconsciente. Para compreender este imbróglio é necessário perceber que, antes de mais, nada está dissociado de nada e que para algo suceder do outro lado, já haveria consciência, assim sendo, podemos chegar à conclusão de que a consciência é apenas a consequência de uma cadeia de acontecimentos na nossa mente, no nosso âmago, que até ser despertado, até o alarme soar, está lá, no mais profundo interior.

O ser humano é de facto uma "pérola" para ele mesmo, é um motivo de estudo, um dado de incompreensão, um conjunto de células incompreendidas, se assim não fosse não seria de todo complicado chegarmos a conclusões sem contestação e até mesmo sem conclusões. Nós, o ser mais ser que conhecemos, conseguimos a mais ambiguidade entre seres vivos do planeta Terra. Esta é a minha conclusão, básica, mas lógica, porque não consigo manter uma conversa com uma lagartixa ou com uma tartaruga. Contudo, parece que conseguimos evoluir e dar seguimento ao estudo do próprio ser humano.

Desde há muito tempo que sentimos necessidades básicas, como compreender quem somos, de onde viemos, qual o nosso propósito de aqui estar, e embora acredite que já sabemos muito, também tenho em crer que muito dificilmente deixaremos um dia de nos questionar acerca dessas questões. E a razão é que, mesmo que saibamos, acabamos por criar novas dúvidas, vamos duvidar de nós mesmos, e vamos ser sempre exímios a complicar tudo. O "complicómetro" é a nossa pior invenção, é de facto algo que se instalou em nós e que por mais que façamos por eliminar, o apego irá sempre prevalecer, e deitar por terra a mais elementar forma de ser feliz e de viver os momentos presentes, que é a simplicidade e a poupança. O tempo é incontestavelmente algo que, pelo menos nos dias de hoje, não é pensado, são inúmeras as pessoas que deixam o tempo ir, esfumando-se sem ser aproveitado. O tempo é aquilo que não se pensa, mas é algo tão importante como respirarmos, porque é aí mesmo que respiramos, que comemos, que pensamos, que fazemos, que vivemos, e é na simplicidade que ganhamos tempo, que ganhamos tudo. 

Já imaginaste se fossemos um bando de pássaros, daqueles que procuram o local ideal para nidificar, que necessitam de encontrar o local ideal para cada projecto, para cada empreendimento, para cada acção que necessitam para que tudo corra bem, agora pensa, como seria a vida desses pássaros todos, se cada um pensasse como os seres humanos. Sem a intuição e a naturalidade, perdiam a sua essência, perdiam a sua razão, perderiam a sua capacidade de prosperar, pois, perdiam-se no tempo a complicar as rotas, as velocidades, a jogar com os egos, e a pular passos que seriam catastróficos e já para não falar na perca de sentido de viver em comunidade e comunhão. A simplicidade dos pássaros é a noção da realidade, é a noção de viver o presente e viver o tempo no seu tempo.

Gosto de pensar que a consciência vem quando tem que vir. Gosto de ter a noção de que o despertador está programado com uma precisão tal, que não falha, e somos nós próprios que lhe damos corda, como se de um relógio tratasse, é inato e é mecânico ao mesmo tempo, é uma engrenagem que se auto regula.

A consciência vem no momento preciso, sempre, mas são também momentos de escolha e de responsabilidade, que apenas a cada um de nós cabe decidir. E tu, já decidiste?

Espero por ti nas minhas sessões de LIFE Therapy, até já!

Luís Martins